quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Blanche Niege para adultos



Para não dizer que eu não estou postando... Quero muito curtir o programa abaixo no final de semana. Prometo uma crítica depois. Nesse final de semana vou postar os textos do Festival de Dança do Triângulo, que aconteceu em Uberlândia na última semana.


ANOTEM NA AGENDA!

Quem estiver em São Paulo neste final semana não pode deixar de ir ao Teatro Alfa. Isso porque um dos gênios da dança mundial traz ao palco brasileiro sua versão para um conto de fadas popular. A nova criação de Angelin Preljocaj para a companhia que leva seu nome, estreou em setembro de 2008 na Bienal da Dança de Lyon. Inspirada no conto de fadas Branca de Neve, dos Irmãos Grimm, "Blanche Neige" é um grande ballet, romântico e contemporâneo, em que 26 bailarinos dançam o mais belos trechos das músicas de Gustav Mahler, com figurinos de Jean Paul Gaultier e cenografia de Thierry Leproust. Novamente a moda e a dança caminham juntas. Vale lembrar que o último trabalho da São Paulo Cia. de Dança, "Passanoite", de Daniela Cardim, teve figurinos assinados por Ronaldo Fraga.

"Eu tinha um grande desejo de contar uma história, oferecendo algo mágico e encantado. Sem dúvida buscando evitar o rotineiro. E também porque, como todos, eu adoro histórias. Segui a versão dos Irmãos Grimm com apenas algumas variações, baseadas nas minhas interpretações dos símbolos do conto. Bettelheim descreve o conto Branca de Neve como um édipo reverso. A madastra é sem dúvida a personagem central do conto. Por meio dela examinei a sua determinação narcisista de não desistir da sedução e de seu papel como mulher, ainda que isso signifique sacrificar sua enteada. A compreensão dos signos pertence aos adultos assim como às crianças: é para todos; e é por isso que eu gosto dos contos de fadas", diz Preljocaj.

Vale ler a ficha técnica do espetáculo:

Direção Artística e coreografia Angelin Preljocaj / Música Gustav Mahler / Música complementar 79 D / Figurinos Jean Paul Gaultier / Cenários Thierry Leproust / Iluminação Patrick Riou / Assistentes de iluminação Cécile Giovansili e Sébastien Dué

Bailarinos - Branca de Neve: Nagisa Shirai / Príncipe: Sergio Diaz / Rainha: Céline Galli / Rei: Sébastien Durand / Mãe: Gaëlle Chappaz / Gatos-Gárgulas: Emilie Lalande & Yurie Tsugawa / Corpo de baile: Sergio Amoros Aparicio, Virginie Caussin, Aurélien Charrier, Damien Chevron, Fabrizio Clemente, Baptiste Coissieu, Carlos Ferreira da Silva, Natacha Grimaud, Emma Gustafsson, Caroline Jaubert, Jean-Charles Jousni, Céline Marié, Lorena O'Neill, Fran Sanchez, Charlotte Siepiora, Patrizia Telleschi, Julien Thibault, Liam Warren, Nicolas Zemmour

Assistente de direção artística Youri Van den Bosch / Assistente ensaiador Claudia De Smet / Coreólogo Dany Lévêque / Consultor para acrobacias verticais Alexandre del Perugia / Execução do cenário Atelier Atento / Execução do figurino Les Ateliers du Costume

Espetáculo criado em residência no Grand Théâtre de Provence, Aix-en-Provence

Coprodução Biennale de la danse de Lyon / Conseil Général du Rhône, Théâtre National de Chaillot (Paris), Grand Théâtre de Provence (Aix-en-Provence), Staatsballet Berlin (Alemanha)


PARA VER - Blanche Niege, com o Ballet Preljocaj. De 6 a 8 de novembro de 2009 sexta, 21h30 sábado, 21h domingo, 18h - Ingressos: Setor I R$ 150; Setor II - R$ 120; Setor III – R$ 80 e Setor IV - R$ 50. No Teatro Alfa (rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 – tel. 5693.4000)

sábado, 24 de outubro de 2009

São Paulo Cia. de Dança estreia Passanoite

A Companhia estreia duas coreografias Passanoite, criação inédita da brasileira Daniela Cardim, apresentada com execução musical ao vivo do grupo Quintal Brasileiro, e Polígono Revisitado, do italiano Alessio Silvestrin. Completa o programa Gnawa, coreografia de Nacho Duato.

Direção: Iracity Cardoso e Inês Bogéa

Passanoite, de Daniela Cardim: música para ver / Foto: Reginaldo Azevedo


PASSANOITE
Reiterando sua proposta de congregar nomes consagrados e novos talentos, a São Paulo Companhia de Dança recebe, no segundo semestre de 2009, mais uma obra em seu repertório. A artista convidada a criar uma peça especialmente para a Companhia é a brasileira Daniela Cardim. Seu currículo inclui atuação destacada no Balé Nacional da Holanda, onde ingressou há uma década e sua pesquisa coreográfica busca novos limites para a técnica clássica.

Passanoite, que tem figurinos assinados por Ronaldo Fraga, é uma coreografia de construção profundamente musical, ligada estruturalmente às criações que o Quintal Brasileiro executa. Quintal Brasileiro é um quinteto de cordas cuja proposta é diluir as fronteiras entre a música instrumental brasileira e a música erudita. Formado por musicistas que atuam em importantes orquestras brasileiras, interpreta um repertório que evidencia uma abrangente pesquisa dedicada à produção brasileira contemporânea e que contempla compositores como André Mehmari, Mário Manga, Hermelino Neder e Marcelo Petraglia, autores das músicas deste espetáculo.

Carioca nascida em 1974, Daniela Cardim foi solista do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Yu Lin, sua primeira coreografia, feita em 1994, ganhou o quarto prêmio na XI Mostra de Novos Coreógrafos no Rio de Janeiro e desde então suas criações vêm recebendo crescente atenção. Foi selecionada pelo New York Choreographic Institute, ligado ao New York City Ballet e dirigido por Peter Martins, para coreografar para a School of American Ballet. A mais recente criação de Cardim estreou no Balé Nacional da Holanda em abril de 2009.


POLÍGONO REVISITADO
Também alinhada com a proposta da São Paulo Companhia de Dança de abordar o repertório da dança num espectro amplo, Polígono Revisitado une o rigor clássico e a linguagem contemporânea.

A criação do italiano Alessio Silvestrin foi elaborada a partir da Oferenda Musical de Johann Sebastian Bach revisitada pelo grupo belga Het Collectief, exemplificando nos movimentos a estrutura da música. Assim como na construção contrapontística da música, a criação coreográfica elabora motivos que são enunciados e retomados pelos muitos corpos dançantes, em tempos e configurações variadas.

A coreografia apresentada nesta montagem é uma versão reduzida e alterada daquela apresentada em 2008, na estreia da Companhia. Dos 60 minutos iniciais, a obra está mais enxuta, com 30 minutos, e suas partes se articulam por contrastes mais claros. Início e fim dialogam como antes, porém, o meio aumenta o ritmo multifacetado da obra: duos cortam a cena e são interrompidos por luzes que se apagam ou painéis que os ocultam. O Allegro é cortado pela Fuga Canônica, na qual o tempo é suspenso e se completa na figura do fundo da cena. Rever é também reinventar uma obra que se constrói no movimento.

Alessio Silvestrin nasceu em 1973 em Vicenza, Itália. Formou-se pela Académie de Danse Princesse Grace em Monte Carlo e estudou também na École Atelier Rudra Béjart, em Lausanne, Suíça. Já atuou como bailarino e coreógrafo nas companhias de Maurice Béjart, Copenhagen International Ballet, Balé da Ópera Nacional de Lion, sob direção de Yorgos Loukos, e Balé de Frankfurt, sob direção de William Forsythe, entre outros. Silvestrin é também músico e compositor com obras editadas pelo selo Edizioni Arca Musica. Desde 2003 reside no Japão como artista independente.


GNAWA
A obra que completa o programa, Gnawa, presente em repertório desde março de 2009, é de autoria do consagrado criador Nacho Duato e é inspirada no universo étnico e religioso de uma confraria mística muçulmana do norte da África. De origem sub-saariana, os gnawa incorporam cantos às suas práticas espirituais, e Duato adotou, como base da coreografia, canções dessa comunidade.

Gnawa dá continuidade à pesquisa iniciada em Mediterranea, que assinala um interesse do artista espanhol pelos ritmos ancestrais da região. Gnawa estreou em 2005, e, como muitas das criações de Duato, busca um equilíbrio entre o clássico e o contemporâneo, como entre o local, o particular (no caso, a cultura mediterrânea) e o universal, as questões simbólicas que renovadamente propõe a arte. Duato nasceu em Valência e começou a dançar aos 18 anos, na Rambert School, em Londres, tendo depois passado pela Mudra School de Maurice Béjart e pelo Alvin Ailey American Dance Centre. Com obras nos repertórios das mais prestigiadas companhias do mundo, recebeu alguns dos mais importantes prêmios e distinções da Europa. É diretor artístico da Compañía Nacional de Danza desde 1990.



A COMPANHIA
A São Paulo Companhia de Dança, que tem como diretoras Iracity Cardoso e Inês Bogéa, foi criada em 2008 pelo Governo do Estado por meio de sua Secretaria da Cultura. A Companhia tem a atribuição de tornar a dança cênica acessível ao grande público, por meio de espetáculos, programas educativos e de formação de platéias. Procura, assim, desenvolver projetos de integração entre a dança e outras áreas do conhecimento, criando espaços para debates e discussões, com vistas ao público acesso à cultura, à formação dos estudantes e ao aperfeiçoamento dos profissionais da dança. Para tanto, a Companhia atua em três vertentes interligadas: Produção de Espetáculos, Programas Educativos e Programas de Registro e Memória.


PARA VER
De 22 a 25 de outubro de 2009 quinta e sábado, 21h sexta, 21h30 domingo, 18h
Setores 1 e 2 - R$60,00 Setores 3 e 4 - R$40,00

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

EU VOLTEI!!!!!!!!!!!!!!!!!

Sostenuto, de Luiz Arrieta, para o Divinadança: bom de ver
Prometo que não vou mais abandonar o blog... A vida mudou muito e eu nem tive tempo de dividir com vcs! Mudou muitooooooooo! Bom.. para quem ainda não sabe estou morando em SP... trabalhando na São Paulo Companhia de Dança. Tudo foi muito rápido, para vcs terem uma noção (leve) nem o gás na minha casa está instalado. Esse blog nunca recebeu textos em primeira pessoa, mas agora, tudo será diferente e nada será como antes (parece música).
Ontem comecei a minha programação de dança na cidade oficialmente. Fui ao TD Teatro de Dança assistir ao Bem Casado, uma junção do Balé da Cidade de Santos, da talentosa Renata Pacheco e do Grupo Divinadança, que tem direção da Andrea Pivatto! Que delícia! Valeu a pena sair de casa no fim de tarde de um domingo nublado.

As meninas do Balé de Santos, acostumadas as sapatilhas de ponta, apareceram descalças e fizeram um tributo a Edith Piaf. O trabalho é bem acabado e bem dançado por um elenco de meninas jovens com média entre 16 e 20 anos. Dá vontade de ver o espetáculo todo, num palco maior... com as 26 do elenco.

Na segunda parte do espetáculo o Divinadança entrou em cena e mostrou uma dança contemporânea de qualidade. O primeiro trabalho Sostenuto, de Luis Arrieta, é um trois muito bem dançando. A peça foi criada para o Balé do Teatro Castro Alves em 2004 e remontado para o Divinadança em 2008, com música de Rachmaninoff. A coreografia mescla sentimentos e sensações como equilíbrio, desequilíbrio, sustentação, apoio. É impedir que se caia, é resistir, escorar, alimentar, prover, estimular.

(Me desculpem, mas o programa não está aqui e terei que ser super direta. Isso não é uma crítica, e passa perto do comentário). O segundo trabalho da noite foi Tempo Escasso, de Gleidson Vigne. A coreografia é ótima. O movimento (e a cena) percorre a cidade grande de SP e a falta de tempo a que o indivíduo se submete (não pela falta mas sim pelo excesso). O tempo não pára. A criação teve como pensamento base trechos de "Nada é Ipossível de Mudar", de Bertold Brecht. A música é muito bem escolhida e editada e, sobretudo, os vídeos. Eles fazem uma espécie de videodança no palco. Bem feita. Engraçada. Vale a pena ver de novo, se der.

Fui....




domingo, 6 de setembro de 2009

Redação Crítica de Dança / Joinville 2009


Segue abaixo algumas críticas publicadas pelos meus alunos no curso de Redação Crítica de Dança que foi ministrado durante do Festival de Dança de Joinville, em julho deste ano! O pessoal teve contato com a crítica durante três intensos dias e o resultado foi muito interessante. Temos excelentes textos aqui. Obrigada queridos!
Marcela Benvegnu
Alunos!!!! Críticos!!! Produtores de pensamento!!!!
Serenade, com a SPCD



Crítica de VANESSA AMARAL
Encanto e sentimento em noite de gala despertados por Serenade
“Exuberante”. Talvez esta seja a palavra que descreva a atuação da São Paulo Companhia de Dança em Serenade, na noite da última segunda-feira, 20 de julho de 2009. A Companhia apresentou-se no Centreventos Cau Hansen na noite de gala do 27º Festival de Dança de Joinville. No elenco constavam bailarinos das cinco regiões do Brasil e também da Argentina.
Com uma execução e leveza invejável exigida pela coreografia de George Balanchine (1904-1983), sobre a música de Tchaikovsky (1840-1893), a remontagem de Bem Bates encantou o público trazendo algo diferente dos ballet’s habituais.
Serenade não possui uma seqüência de fatos lógicos, Balanchine explorou questões formais impostas pela modernidade, estabelecendo uma relação radical entre som e movimento, sua proposta era esclarecer aos jovens bailarinos a distinção entre bailado em sala de aula e dança no palco.
Mantendo esta relação com sala de aula, o figurino composto por collants e saias longas de tule (também chamadas de tutus românticos) apresentou-se de forma simples e fiel a rotina de sala de aula de diversos bailarinos e bailarinas. Este, contudo dialoga harmoniosamente com o movimento e a marcante luz em fundo azul, que dançava graciosamente junto à Companhia.
Em geral sobre a Companhia é impossível não citar e parabenizar a harmonia presente no palco, que pôde ser facilmente percebida pelo público, pois os bailarinos se entregam e vivem o que dançam como um só corpo. Como resposta, recebem não somente aplausos, lágrimas e sorrisos do público, mas também admiração e respeito por tal obra executada por uma Companhia tão jovem e tão fiel ao que comprometem fazer. Deixando de herança a todos nós, um desejo e curiosidade de apreciar o que ainda está por vir.




Crítica de ANETTE LUBISCO

As rupturas e dissonância provocadas por Les Noces
Na noite de 20 de julho de 2009, as 20 h, no Centreventos Cau Hansen dentro do 27º Festival de Dança de Joinville apresentou-se dentro de sua noite de gala a “São Paulo Companhia de Dança”, apresentando em seu programa também Lês Noces. Lês Noces é um trabalho coreográfico onde se vê presente rupturas e dissonâncias.
A proposta coreográfica se deu a partir da união da coreógrafa bielorussa Bronislava Nijinska e do compositor e musico Igor Stravinsky.
Nijinska criou a movimentação para Lês Noces mostrando movimentos dançados com influência de ritual do casamento da Rússia antiga. Além de imagens vividas pela coreógrafa durante a Revolução da Rússia antiga, as inspirações do gestual moderno dos movimentos de danças folclóricas russas ajudaram na sensação de transmitir aspectos relacionados a rupturas sob que o trabalho se oferece. A mais conhecida criação da russa NIjinska, alia a tradição do balé as vanguardas modernistas do inicio do século XX reforçando a idéia de ousadia que Lês Noces perpassa.
Stravinsky compôs e escreveu a musica em quatro cenas explorando o clima solene dos rituais dos casamentos russos, onde os casais eram determinados pelos pais. A riqueza rítmica da musica oferecida de Stravinky e o teor dramático do trabalho provoca a dissonância refletida por todo momento na obra dançada, onde os integrantes/bailarinos passam a ser vozes coreográficas complementadas com harmonia do movimento e musica, ressoando como num todo. A arrojada musica de Stravinsky funde o folclore russo com modernas rupturas musicais
O figurino é visto sem a ostentação de cor, lembrando roupas do dia-a-dia dos camponeses russos. Les Noces é dançado também por mulheres onde Nijinska coloca a importância do uso da sapatilha de ponta, pois ela queria restituir silhueta alongada que se vê nos ícones russos e noutras imagens tradicionais da igreja Bizantina.
O cenário é feito por Gontcharova – russa – e artista plástica de pesquisa abstrata e que buscou perpetuar a arte popular russa.
O Lês Noces foi dançado pela 1ª vez em 1923 e em Paris e para a remontagem deste trabalho para o “São Paulo Companhia de Dança” foi chamado um “remontador” – bailarino que conhece profundamente a peça e que repassem estes movimentos com fidelidade – a portuguesa Márcia Palmerini.
O “São Paulo Companhia de Dança” foi lançado em janeiro de 2008, por iniciativa do governo do Estado de São Paulo, ocupado por elenco de 40 integrantes e que possui sem duvida resultados interessantes em tão pouco tempo de existência. Lês Noces traz a ousadia e sofisticação desta Companhia de Dança que desponta no mercado cultural mostrando a importância de programas com produção de alta qualidade técnica e artística.



Crítica de KARINA BORJA DE SOUZA
Simplicidade e Beleza



Simplicidade e beleza é como se pode definir o espetáculo da São Paulo Companhia de Dança apresentação ontem no 27º Festival de Dança de Joinville. A Noite de Gala foi enriquecida com as apresentações de "Les Noces" e "Serenade".
"Les Noces" uma criação da bailarina russa Bronislava Nijinska (1891 - 1972), música de Igor Stravinsky (1882 - 1971) e com figurinos e cenários assinados por Natalia Goutcharova (1881 - 1962).
O balé nos remete a antiga rússia onde todos os bailarinos se igualavam num só corpo, com movimentos fortes e próprios, nos trazendo um casamento de camponeses onde o matrimônio era um ato acordado pelos pais.
Delicados movimentos fecha a noite trazendo "Serenade" de George Balanchine (1904 - 1983) e música de Tchaikovsky (1940 - 1893). A suavidade transparecia na luz azul e nos figurinos esvuaçantes nos elevando e nos envolvendo com doces sensações. E essa obra-prima era apenas para mostrar aos alunos a distinção entre bailado em sala de aula e a dança no palco.
Foi uma noite que permeou entre o forte e o suave, o brutal e o delicado, e esse trabalho nos mostra o que uma companhia, mesmo sendo formada há pouco mais de um ano, tem a limpeza em sua assinatura e a dedicação dos bailarinos e remontadores levando aos que assistem a tristeza e a alegria em, apenas, alguns minutos de diferença.

Crítica de NILDA NAZARÉ PEREIRA OLIVEIRA

Os sentimentos que a dança pode despertar


Na Noite de Gala do 27º Festival de Dança de Joinville pudemos assistir a apresentação da São Paulo Companhia de Dança, que trouxe duas das coreografias de seu repertório: Les Noces e Serenade. A apresentação ocorreu no Centreventos Cau Hansen, para uma platéia de, aproximadamente, 4.500 pessoas.
A coreografia Les Noces retrata um casamento camponês, na Rússia do início do século XX, quando os noivos eram escolhidos pelas famílias e só se conheciam no dia do casamento. A obra foi criada em 1923, por Bronislava Nijinska (Minsk, 8 de janeiro de 1891 — Los Angeles, 21 de fevereiro de 1972). Trata-se de um Ballet em quatro atos: a Bênção da Noiva, a Bênção do Noivo, a despedida da Noiva da casa dos pais e a festa de casamento.
Os cenários austeros, que retratam casas camponesas, com suas paredes nuas pintadas de bege, o figurino em tons de bege e marrom e a forte música de Stravinsky (Oranienbaum, 17 de Junho de 1882 – Nova York, 6 de Abril de 1971), dão um tom extremamente sombrio, e refletem todo o sofrimento de uma jovem que não deseja realizar aquele casamento, da forma como era de costume.
Serenade, de George Balanchine (São Petersburgo, 22 de Janeiro de 1904 – Nova Iorque, 30 de Abril de 1983), foi criada sobre a Serenata em Si Maior para Cordas, Opus 48 de Tchaikovsky (Kamsko-Wotkinski Sawod, 7 de maio de 1840 - São Petersburgo, 6 de novembro de 1893), em 1935, e é o oposto, se assim podemos dizer, de Les Noces. Trata-se de uma coreografia leve e suave, que dialoga perfeitamente com o figurino em tons de azul, e saias de tule esvoaçantes, que, em conjunto com a iluminação também azul, reproduzia uma cena às vezes parecendo o mar, outras o céu.
Os bailarinos executaram as duas coreografias numa harmonia muito grande, demonstrando grande interação, o que é surpreendente para uma Companhia criada há tão pouco tempo, a São Paulo Companhia de Dança foi criada há pouco mais de um ano e meio, em janeiro de 2008.
Entretanto, o que mais chamou a atenção na apresentação da Noite de Gala foi o tipo de sentimento que uma coreografia de dança pode despertar.
Certamente o público do Festival é diferenciado, são pessoas que vivem e valorizam a dança, a elite da dança no país e, mesmo neste público, pode-se observar um sentimento de angústia, sofrimento e nostalgia evocados por Les Noces, refletido nas palmas reticentes e manifestações contidas, completamente contrárias ao que ocorreu em Serenade, quando a platéia explodiu em aplausos e manifestações de euforia.
Para quem afirma que em Ballet Clássico “é tudo igual”, vale a pena assistir a essas duas coreografias, para perceber os sentimentos que a dança pode despertar.



Crítica de MICHELLE CAMARGO
Quem precisa de príncipes e fadas?
Seguindo a tradição de alto padrão dos trabalhos apresentados na Noite de Gala, o 27º Festival de Danças de Joinville trouxe ao palco duas obras primas da dança clássica: Les Noces, de Bronislava Nijinska e Serenade, de George Balanchine, ambos primorosamente interpretados pela São Paulo Cia de Dança.
Acreditar que apenas príncipes e fadas emocionam e encantam o público do Festival é equivocadamente privar-se do despertar de novas emoções que a dança é capaz de proporcionar.
Em Les Noces, a intensidade da música de Stravinsky aliado à narrativa do balé traduz o sentimento de um período difícil na Russia, porém a força dos movimentos e a performance dos bailarinos da São paulo Cia de Dança trazem à tona o olhar de encantamento e admiração característicos do público dos prícipes e das fadas.
Já em Serenade, este olhar se reconhece na inteligência de Balanchine, que de forma delicada, poetiza o cotidiano de mais uma de suas belíssimas criações e no corpo da São paulo Cia de Dança, acolhe o olhar hipnotizado da platéia.
Se os príncipes e as fadas não estiveram presentes no palco da Noite de Gala do 27º Festival de Joinville, isso já não mais importa. Levamos para casa a descoberta de que emocionar-se é preciso, basta abrir bem os olhos, a mente e o coração!
Crítica de CAMILA EMBOAVA
Serenade. Ah, e então?
Serenade, criada em 1935, foi a primeira obra que George Balanchine (1904-1983) coreografou para os alunos de sua escola, a School of American Ballet. O coreógrafo pretendia ensinar a seus alunos a diferença entre a movimentação de aula e os bailados de palco, daí nota-se as inclinações de corpo, os braços mais leves, a movimentação menos rígida e acadêmica que acabou por “inaugurar” o balé neoclássico.
Ontem, o público do Festival de Dança de Joinville pôde ver no palco principal a remontagem de Serenade dançada pelos bailarinos da São Paulo Companhia de Dança.
Para que Serenade acontecesse, a companhia contou com a orientação do bailarino e professor belga Bem Huys, que dançou no New York City Ballet durante anos e ensinou tanto a coreografia e musicalidade aos bailarinos quanto a luz e o figurino aos técnicos.
O balé começa com 17 bailarinas no palco espalhadas de uma forma não-convencional e bela. O primeiro gesto da obra foi baseado em uma das bailarinas, que protegia o rosto do sol quando o coreógrafo chegou na sala. O balé inteiro acontece com intervenções de movimentações que simbolizam algum fato ocorrido durante os ensaios. A bailarina que chega atrasada e procura seu lugar, a bailarina que cai durante o ensaio, as moças limpando o suor. A obra diz sobre o cotidiano das bailarinas de Balanchine.
Durante o espetáculo fico imaginando o tamanho da comoção que a apresentação de Serenade causa aqui, em Joinville, onde grande parte do público tem envolvimento com a dança. Quantas meninas da platéia devem ter se reconhecido no atraso de uma das bailarinas? Quantas se identificaram com o “choro” de uma das alunas de Balanchine representado em cena?Assim como a queda da bailarina e o sol na janela das salas de dança, o balé Serenade é atemporal.
A musicalidade é impressionante, nenhum acorde parece ter sido desperdiçado, fica a impressão de que dança e música co-existem, Serenade foi feito para a música de Tchaicovsky (1840-1893) e é evidente que não existiria sem ela. Mas depois de ver Serenade no palco fica difícil imaginar que a música exista sem a coreografia. A iluminação azul e o figurino claro dialogam perfeitamente com a movimentação e são essenciais para fazer o mundo de Serenade existir. O balé tem uma dramaturgia inerente, cravada. E chega. Chegou em mim, chegou nas amigas que assistiram do meu lado, chegou até aos pré-adolescentes que não paravam de se mexer e conversar enquanto a São Paulo dançava Les Noces e que na metade de Serenade pareciam absorvidos.
A performance da São Paulo Companhia de Dança estava sublime. A movimentação rápida dos pés, as inclinações, a intenção de movimento, o vento de Balanchine estiveram muito dentro daqueles corpos que se organizavam no espaço e na música entre giros, saltos e braços de um jeito leve, deslizante, sutil e preciso.
A noite de ontem, pela riqueza da apresentação, me lembrou um poema inglês da época do romantismo, chamado A Flor Azul. Azul, como Serenade.
E se você dormisse? E se você sonhasse? E se em seu sonho você fosse ao paraíso e lá colhesse uma flor bela e estranha? E se, ao acordar, você tivesse a flor entre as mãos? Ah, e então?
Crítica de ANDRÉ LIBERATO
3 em 1

Que a SPCD é um projeto estridente, porém muito competente da secretaria de cultura do estado de São Paulo nós já sabíamos. Que Balanchine (1904-1983), russo de nascença radicado nos EUA, foi o grande inaugurador do neoclassicismo na dança nós também sabíamos. Que Joinville é o maior festival de dança do mundo segundo o próprio Guinness book, além de sabido, é também motivo de orgulho para todos nós que torcemos por uma dança mais disseminada e valorizada.

Bem, a soma de toda essa grandiosidade reunida deve servir para nos ensinar muitas coisas, uma delas, a que considero principal, é o caráter didático que Serenade imprime a um festival cujo carro-chefe ainda é o balé. Me explico melhor: assistir um clássico de Balanchine em Joinville é muito importante para que as diversas academias espalhadas pelos quatro cantos do Brasil, aqui reunidas, possam perceber um pouco da origem daquilo que estão fazendo, aprimorando, assim, seus próprios trabalhos. Afinal, Balanchine representa um divisor de águas na história do balé e, sem dúvida, é extremamente responsável pela visão que temos hoje da bailarina clássica.
Outro fator importante é a confirmação da possibilidade de termos no Brasil uma companhia clássica de alto nível técnico e investimento suficiente (que não é pouco) para manter essa qualidade.
Ainda que o projeto esbarre inevitavelmente numa tendência em supervalorizar os modelos estrangeiros, é inegável que o trabalho da SPCD tem se mostrado muito sério e capaz de elevar a dança ao status de maior prestígio na nossa sociedade.
Quanto ao trabalho em si, a obra de Balanchine me parece muito ousada quando vista imersa numa época em que o balé se apoiava em excesso nas narrativas lineares e nos recursos miméticos, mesmo considerando que o panorama americano, onde foi criada a obra, já se mostrava moderno desde as primeiras investidas de Lincoln Kirstein (1907-1996) na criação de um balé nacional.

A fruição estética de Serenade, apoiada na bela música de Tchaikovsky, e reforçada pela luz e figurinos nos leva a sonhar com a possibilidade de leveza daqueles corpos, numa tentativa de apreender seu espírito e trazê-lo para os tempos difíceis que vivemos. É claro que isso só é possível gaças a alta qualidade técnica dos bailarinos e do trabalho rigoroso de remontagem da obra.

Faço aqui um parênteses: a entrada do primeiro bailarino (a obra é um culto à figura feminina), o seu figurino e gestual diferenciado, quebra a construção cresente a que o espetáculo se encontrava no momento de sua entrada. Retomando a idéia de balé de ação de Noverre (1727-1810) que sugeria uma dança composta por inúmeros “quadros” em sequência, o novo que se estabelecia com a presença masculina contrapôs com o restante de tal maneira, como seria colocar uma Tarsila ao lado de um Iberê na mesma sala de exposição. No entanto, esse elemento não é grande o bastante para retirar a beleza e encantamento da obra.

É por tudo isso que considero o encontro entre a SPCD, Balanchine e Joinville de extrema valia para entendermos melhor esse ofício da dança que tanto amamos, mas que sofre com a ausência de conhecimento do passado que poderia auxiliar (e muito!) na construção de um caminho mais sábio no futuro.



Crítica de LEILA PATRÍCIA TORRES

Ousadia e leveza na Noite de Gala do Festival de Dança de Joinville



Como seria acompanhar um ensaio de bailarinos em sua rotina diária? a bailarina chegando atrasada, enxugando o suor ou protegendo seu rosto de uma fresta de luz? quem sabe até mesmo presenciar a queda de uma bailarina
no ensaio? Todos esses elementos, que passam às vezes despercebidos pelo público, estão diluídos em Serenade que retrata cada movimento com muita poesia e leveza.

Serenade é de autoria do coreógrafo George de Balanchine (1904 - 1984), e música de Tchaikvisky (1840 - 1893), a coreografia foi criada inicialmente para os alunos da School of American Ballet, e partiu de exercícios que tinham a intenção de mostrar aos alunos a diferença entre o bailado em sala de aula e a dança no palco. Serenade teve sua primeira apresentação em 1934 com alunos da escola, e sua estréia profissional deu-se em março de 1935.

Serenade não possui cenário ou objetos cênicos, apenas a luz azul que cria uma atmosfera atemporal e celestial. O figurino é simples, de saias longas de tule que trazem a estética do ballet romântico. A apresentação
de Serenade na Noite de Gala foi marcada pela ousadia tanto pela grandeza do espetáculo ser encenado por jovens bailarinos quanto pela própria São Paulo Companhia de Dança que também é muito jovem, foi lançada em janeiro de 2008, pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, a direção artística é de Iracy Cardoso e Inês Bogéa.

A SPCD montou o espetáculo com a ajuda do professor belga Ben Huys, indicado pelo Balanchine Trust que ensinou a coreografia original aos bailarinos: os movimentos, a colocação de cada um no espaço do palco, a
musicalidade e as intenções dramáticas. Enfim, a beleza do espetáculo impressiona pela simplicidade e leveza, saímos do espetáculo leves e felizes em saber que ainda se investe recursos financeiros e apoio governamental ao clássico.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Eu voltei!!!!!!!!!!!!!

Queridos,

Há muito tempo não sabia o que era tirar férias. E esse ano, TIREI. De tudo. De todos. Do jornal. Do Blog. Até de mim mesma. E como foi mara! (maravilhoso). Mas agora é hora de voltar a ativa, de atualizar essas páginas e contar coisas que vivi, vi, senti. Prometo para semana que vem um texto sobre Billy Elliot, O Musical, que acabei de assisitir na Broadway em NY. Simplesmente sem palavras de tão maravilhoso. Vou também contar da aula de jazz (história e lyrical) que eu e a Erika Novachi demos em NY, na Broadway Dance Center. Foi demais.

Também preciso postar aqui as redações críticas dos meus alunos no Festival de Dança de Joinville (um texto melhor que o outro), e as prometidas críticas do Festidança, que aconteceu em junho (que vergonha - atraso básico).

Eu volteiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
Beijos que dançam para vcs! :- )

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Olhares múltiplos


Foto: Lenise Pinheiro
Legenda: Iracity Cardoso, diretora artística da SPCD


Criadora do Centro de Dança da Galeria Olido, em São Paulo, e diretora do Ballet Gulbenkian de Portugal de 1996 a 2003 — onde também foi co-diretora (1988-1993) —; Iracity Cardoso dirige a São Paulo Cia. de Dança, com olhares múltiplos. Experiência ela tem. Foi bailarina e assistente de direção do Ballet du Grand Theatre de Genève (1980-1988), além de bailarina do Staats Theather Karlsruhe e do Stadt Theater Bonn, na Alemanha; e do Stadt Theater Marseille, na França. Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, Iracity faz um balanço das atividades da companhia em seu primeiro ano de fundação e fala sobre a pluralidade das gramáticas corporais adotadas pela direção. Confira os melhores trechos.
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Como olhar para a companhia pouco mais de um ano depois da sua fundação?
Iracity Cardoso — Olho para trás com bastante orgulho. Vejo o progresso e uma estrutura cada vez mais sólida. Acho que fizemos muitas coisas nesse período. Se pararmos para analisar temos menos de um ano da estréia do primeiro trabalho (Polígono, do italiano Alessio Silvestrin) e desde então não paramos de realizar projetos, como o Corpo a Corpo, o Figuras da Dança, e outros. Nesse período tivemos três obras criadas especialmente para a companhia (Polígono; Ballo, de Ricardo Scheir, e Entreato, de Paulo Caldas) e três obras de repertório (Serenade, de George Balanchine; Les Noces (1923), de Bronislava Nijinska (1891-1972) e Gnawa, de Nacho Duato).
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Todos esses trabalhos apresentam estilos plurais. Como o corpo dos bailarinos reagiu a isso?
Iracity — Para alguns bailarinos esse processo foi realmente difícil por muitos não estarem acostumados com essas diferentes técnicas. O contato com o contemporâneo, esse trabalho no qual o intérprete também colabora com a criação, foi novo para alguns. Nos grandes conjuntos, não somente de Serenade, mas de Les Noces, eles tiveram que se adaptar ao rigor e à disciplina da forma. O diferencial de tantas linguagens é que trouxemos remontadores para cada uma das obras, e temos o cuidado para que todas sejam interpretadas como únicas dentro de sua proposta original, fazendo com que os estilos não se misturem.
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Qual o motivo da escolha de Daniela Cardim (Het Nationale Ballet) para assinar a nova produção da companhia que estréia em outubro, no Teatro Alfa?
Iracity — Daniela é uma bailarina carioca, que está em Amsterdã há muitos anos e já iniciou uma carreira como coreógrafa. Queremos dar oportunidade a esses jovens criadores que estão no exterior. A coreografia ainda não tem título e ela trabalha com os bailarinos nas pontas, com a movimentação contemporânea.

SPCD pelo interior

Serenade, coreografia de George Balanchine criada há 75 anos / foto: Alceu Bett

Marcela Benvegnu

Com pouco mais de um ano de existência, seis montagens no currículo — três exclusivas —, diversos projetos educativos e um livro a ser lançado, a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) tem consolidado sua (boa) imagem no país. Excursionando pelo Brasil com trabalhos que abrangem diversas gramáticas corporais, a companhia chega a Piracicaba amanhã, às 21h, no ginásio do Sesc Piracicaba, para apresentar dois trabalhos: Serenade (1935), de George Balanchine (1904-1983), um dos maiores clássicos da dança mundial, e Gnawa (2005), de Nacho Duato (1957). Além das apresentações estão previstas duas atividades gratuitas da SPCD na cidade. A diretora artística adjunta da companhia, Inês Bogéa, ministra a palestra Corpo a Corpo, hoje, às 19h, no Sesc, e amanhã, às 10h, Ricardo Scheir — professor, coreógrafo e ensaiador da SPCD — ministra aula de balé clássico para interessados, no mesmo local.
Serenade, de Balanchine, é uma obra comprometida com a música de Pietr Ilyitch Tchaikovsky (1840-1893), e revela formas incomuns em sua formação — como um grupo de cinco ou 17 bailarinas. Sem contar que o coreógrafo incorporou incidentes como o atraso de uma bailarina, o gesto que outra fizera para se proteger do sol, e a queda de uma terceira, como parte da coreografia. Balanchine nunca admitiu a existência de um enredo em Serenade, porém, é nítida a sensação que a partitura corporal aponta para uma narrativa. A coreografia teve sua estréia em junho de 1934 — há exatos 75 anos — com a School of American Ballet, e depois de algumas mudanças, em 1935, foi incorporada ao repertório do American Ballet Theatre.
A SPCD estreou Serenade, como coreografia de seu segundo programa — o primeiro trabalho foi Polígono, do italiano Alessio Silvestrin — em novembro do ano passado. A remontagem de Ben Huys (1967), atual ensaiador da The George Balanchine Trust, é sobre a música Serenade for Strings in C, Op. 48 (1880), de Tchaikovsky. “Serenade é um trabalho muito importante. É a primeira vez que uma companhia paulista apresenta um trabalho de Balanchine deste porte. Ficamos muito felizes em poder levá-lo para interior de São Paulo e litoral. Isso é um projeto da companhia. Serenade, além de lindo, apresenta uma musicalidade excepcional e é nesta obra que podemos ver o deslumbrante trabalho de Balanchine com o uso do espaço”, fala Iracity Cardoso, diretora artística da companhia (leia entrevista nesta página).
A segunda peça da noite, Gnawa, de Duato — diretor da Compañía Nacional de Danza, da Espanha — revela o bom encontro do corpo brasileiro com o estilo do coreógrafo. De origem sub-saariana, os gnawa — uma confraria mística muçulmana do norte da África — incorporam cantos às suas práticas espirituais, e Duato adota como base do trabalho canções dessa comunidade. Gnawa pode ser pensada como um desdobramento do interesse do coreógrafo desperto por Mediterranea — coreografia de 1992 — , acrescida de certa luminosidade, calor exótico e música ritualística.
Segundo Iracity, o trabalho de Duato tem relação direta com o corpo brasileiro. “A companhia estreou esta obra no ano passado, e Duato tem uma carreira internacional consolidada. Gnawa apresenta esse ritual do norte da África e somado à música percussiva, tem muito no nosso temperamento”, fala a diretora.
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MOVIMENTO PARALELO
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Antes das apresentações de Serenade e Gnawa, a SCDP promove duas atividades em Piracicaba. A primeira está marcada para hoje, às 19h, no Sesc, quando a diretora adjunta da companhia, Inês Bogéa, ministra a palestra Corpo a Corpo. “Corpo a Corpo procura aproximar o público mais amplo do universo da dança e ressalta o quanto de dança existe no nosso cotidiano”, fala Inês. “Por outro lado, ao revelar um pouco dos processos criativos e dos bastidores do trabalho da São Paulo Companhia de Dança, procuramos mostrar as diferentes profissões que integram um espetáculo”, completa.
Também amanhã, às 10h, no Sesc, o coreógrafo Ricardo Scheir — que assina Ballo, último trabalho da SPCD, e é professor e ensaiador da companhia — ministra uma aula de balé clássico para os alunos inscritos na oficina. “A minha aula é sempre uma surpresa. Não tenho como preparar nada anteriormente porque não conheço os corpos com que vou trabalhar. Até pedi para a organização que não estipulasse o nível das aulas, porque assim podemos sempre curtir algo diferente”, fala Scheir.

Panorama Sesi traz "bons" trabalhos

crédito: Lu Barcellos / Quasar Cia. de Dança

Marcela Benvegnu

Antes de aquecer as sapatilhas e os olhares para o Festival de Dança de Joinville, entre os dias 8 e 19 de julho, acontece a 9ª edição do Panorama Sesi de Dança, no Teatro do Sesi, em São Paulo. Pela segunda vez com a curadoria da coreógrafa, diretora e atriz Renata Melo, o panorama propõe um olhar sobre companhias de características distintas: grandes, pequenas, antigas, novas, com e sem subsídios, daqui e de fora, com estilos e técnicas variadas, com maneiras próprias de se produzir, com mais ou menos dificuldades em se manter.
O evento conta com apresentações gratuitas da Cia. Borelli de Dança, que faz a estréia nacional de seu novo trabalho, além das primeiras apresentações em São Paulo dos novos espetáculos da Quasar Cia. de Dança e da Staccato/Paulo Caldas. Além das três, o público poderá assistir gratuitamente a trabalhos recentes e elogiados da Cia. Druw — que esteve em Piracicaba no mês passado — , do Balé da Cidade de São Paulo, da Cia. Fragmento, da Cia. de Danças de Diadema e da Bruno Beltrão Grupo de Rua.
Renata comenta que “o público poderá observar como as características da formação de cada grupo determinam a qualidade e a natureza de seus trabalhos artísticos. A estréia nacional de Estado Independente, da Cia Borelli de Dança, de São Paulo, e a primeira apresentação na cidade de Céu na Boca, da Quasar Cia de Dança, de Goiânia, e de Quinteto, da Staccato/Paulo Caldas, que colheu excelentes críticas em sua recente estréia no Rio de Janeiro, conferem ao evento prestígio e visibilidade”.
A curadora comenta que o mesmo se dá com a participação do Balé da Cidade de São Paulo, a tradicional companhia municipal, com o espetáculo Canela Fina, merecedor de excelentes críticas e que permaneceu por pouco tempo em cartaz. A apresentação de H3, do Grupo de Rua/Bruno Beltrão, de Niterói, oferece ao público a possibilidade de verificar uma companhia nova, pouco conhecida em São Paulo e que vem obtendo grande projeção, além de elogios da crítica, no exterior. A Companhia de Danças de Diadema mostra Quixotes do Amanhã — também já vista em Piracicaba, no Sesi — como fruto de um trabalho sério e dedicado feito com comunidades carentes de sua cidade.
Já a Cia. Druw, de São Paulo, com trajetória heróica típica de grupos que trabalham com pequenos subsídios, mostra o excelente Lúdico, dirigido pela prestigiada diretora Cristiane Paoli Quito. O espetáculo, que agrada crianças e adultos, é inspirado no pintor russo Wassily Kandinsky. A jovem Fragmento Cia, de Dança apresenta Sob a Nudez dos Olhos, uma peça sensível, inspirada na ficção literária Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago.
O Panorama Sesi de Dança surgiu em 2001, quando passou a integrar a programação fixa do Teatro do Sesi São Paulo. Desde então, o projeto apresentou 90 coreografias para mais de 32 mil pessoas. Nestes oito anos de história, o palco paulistano recebeu companhias como Cia. Deborah Colker, Quasar, Cisne Negro Cia. de Dança, Cia Nova Dança, Cia. de Dança Palácio das Artes e a internacional Wood Dance Company, de Nova York, além de um espetáculo inédito da bailarina Regina Advento, que integra a Tanztheater Wuppertal Pina Bausch.

Para a dor: dança de prazer / Ballet de Londrina


crédito: Izabela Figueiredo


Marcela Benvegnu

Depois de um bem-sucedido “Decalque”, o Ballet de Londrina volta à cena para estrear seu mais novo trabalho. “Para Acordar os Homens e Adormecer as Crianças”, nos dias 17, 18 e 19 de junho, no Filo (Festival Internacional de Londrina), em Londrina. O trabalho, com coreografia de Leonardo Ramos, desencadeia por meio dos movimentos uma condensação da passagem do tempo, representada por nascimento, crescimento e maturidade.
“Para Acordar os Homens e Adormecer as Crianças” começou com a tentativa de tratar do tema da vadiagem, do ócio, do curtir a vida e acabou sendo uma alegoria sobre a quebra da dor para uma possível liberdade. O que aconteceu não foi um desvio: as obras artísticas parecem ter suas vontades e seguir os caminhos da própria existência humana. A dor, que estabelece relação contrapontística com o prazer para compor a dinâmica da vida, não poderia ficar de fora do espetáculo sem que sua ausência não fosse notada.
Assim, os movimentos dos bailarinos desencadeiam uma condensação da passagem do tempo, representada por nascimento, crescimento e maturidade. O espetáculo pretende ser como morfina para esta dor, uma hora em que a dura e incontornável realidade pode ser vista em terceira pessoa, diluída na precisão e beleza dos movimentos da dança. Gestos que remetem ao funcionamento do relógio, o contraste provocado pela presença do corpo do bailarino de 13 anos, tudo transmite a sensação da impermanência humana, revelada no próprio processo de envelhecimento.
O entorpecimento aparece cenicamente como elemento necessário para a transição do self. A lisergia, encarada como possível reconfiguração do real, coincide temporalmente com o meio-caminho entre a infância e a velhice. A trilha sonora, que surgiu depois de boa parte da coreografia, revela também o mesmo princípio. As músicas de pós-rock — e por proporem composições líricas na sonoridade própria ao rock — cumprem bem o papel de sublinhar as tensões e relaxamentos coreográficos do espetáculo.
A obra foi um desafio por ser uma tentativa de sair do consolidado “Decalque”, que permaneceu por dois anos nas mentes e corpos dos bailarinos da CIA. Ballet de Londrina. O novo espetáculo busca novas direções, baseando seu norte em trabalhos mais antigos da companhia em que o movimento, em detrimento do enredo, é o principal elemento constitutivo da obra.
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CIA — O Ballet de Londrina é um grupo profissional de dança contemporânea formado por 13 bailarinos. Criada em 1993, a Companhia já montou e apresentou 22 espetáculos de dança contemporânea, fez 11 turnês nacionais e 9 viagens internacionais. O grupo é mantido pela Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart), uma organização não governamental cujo principal objetivo é democratizar o acesso à formação e produção cultural de qualidade, por meio de uma ampla rede de projetos.

Tô atrasada!

Esse post não tem fotos... só palavras.
Para dizer o quanto eu estou em falta com a atualização. Isso que eu produzi muito nesses dias. Vou postar agora uma matéria do Ballet de Londrina que escrevi há semanas, depois todas as críticas que foram publicadas no Festidança, que eu fui crítica, em São José dos Campos, e depois comentarei o falecimento do crítico de dança Roberto Pereira.
Vamos trabalhar! Tudo É Dança...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Divinadança se apresenta AMANHÃ, em SP

Marcela Benvegnu

Com direção de Andréa Pivatto, o Grupo Divinadança, sobe ao palco do Auditório Marista Glória, em São Paulo, amanhã, às 20h30, para apresentar "3 em 1", programa que compreende três leituras contemporâneas de diferentes coreógrafos sobre questões humanas, cotidianas. Em cena, os corpos traduzem olhares sensíveis sob a ótica masculina que percorrem a diversidade das relações entre o homem e seus pares, o homem e seu ambiente, o homem e seu próprio reflexo visto no outro. A entrada é gratuita.

Milton Coatti apresentará seu "Todas As Cartas de Amor São Ridículas", baseado na obra homônima de Álvaro de Campos. No olhar do coreógrafo, o material não seria cartas de amor se não fossem ridículas. O que é revelado, se observa diariamente em experiências pessoais ou contos de vida.

Criado para o Balé do Teatro Castro Alves em 2004 e remontado para o Divinadança em 2008, com música de Rachmaninoff, do argentino Luis Arrieta é um trio composto por dois homens e uma mulher, que mescla sentimentos e sensações como equilíbrio, desequilíbrio, sustentação, apoio. É impedir que se caia, é resistir, escorar, alimentar, prover, estimular.

Já "Tempo Escasso", de Gleidson Vigne , percorre a cidade grande e a falta de tempo a que o indivíduo se submete não pela falta mas sim pelo excesso. O tempo não pára, mas nós é que o tornamos escasso nas nossas escolhas. A criação teve como pensamento base trechos de "Nada é Ipossível de Mudar", de Bertold Brecht.

O GRUPO - O Grupo Divinadança foi formado em agosto de 2007 para participar do Projeto Curadores Associados no Teatro da Dança em São Paulo e teve sua estréia em 10 de outubro deste mesmo ano. Com o processo e incentivo passou a contar com a criação de outros coreógrafos como Luis Arrieta, cuja estréia de sua obra ocorreu de março de 2008 em São José dos Campos. Em de novembro de 2008 realizaram estréia de "Instigate" de Carlos dos Santos Junior, bailarino e coreógrafo radicado em NY, ex-integrante da Cia. Alvin Ailey, dentro do projeto Conexão Internacional de Dança realizado no Teatro Sergio Cardoso. Com bailarinos que se revezam a cada espetáculo, oriundos em sua maioria do Pavilhão D Centro de Artes e hoje pertencentes aos corpos estáveis de diversas cias profissionais entre elas Grupo Raça, Cia de Danças de Diadema, Pavilhão D, Cia de Dança de São José dos Campos, Balé da Cidade de São Paulo, São Paulo Cia de Dança, P.U.L.T.Z. Teatro Coreográfico e outros grupos, a companhia conta também com a colaboração de artistas oriundos das artes plásticas e performáticas e produção do próprio grupo.

PARA VER - Grupo Divinadança, com direção de Andrea Pivatto.Amanhã, às 20h30, no Auditório Marista Glória (rua Justo Azambuja, 267), no Cambuci. Entrada gratuita. Mais informações (11) 3207-5866.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

5º Sapateia São Paulo vem aí!!

Foto: Reginaldo Azevedo
5ª edição do Sapateia São Paulo será nos dias 6 e 7 de junho

Marcela Benvegnu


Parece foi ontem que aconteceu em São Paulo a primeira edição do Sapateia São Paulo, um evento que reúne sapateadores de todo o Brasil para comemorar o Dia Internacional do Sapateado, dia 25 de maio, aniversário de Bill Bojangles Robinson (1878-1949), organizado pela sapateadora Christiane Matallo. A principal filosofia do evento, que nos próximos dias 6 e 7 de junho, chega a sua 5ª edição, é difundir, trocar e divulgar experiências sobre a arte do sapateado no Estado de São Paulo. Por meio da lei 14.347/07 aprovada em 2007 pelo vereador Adolfo Quintas, a atividade faz parte do calendário oficial do município, para uma maior organização e popularização desta arte no país.
Devido ao crescimento do número de participantes, bem como a qualidade dos trabalhos apresentados, o evento é recheado de atividades, como jam session, oficinas, desfile e espetáculo. A programação começa no dia 6, no período da manhã, no parque do Ibirapuera, com a Sapateandança e a Tap Mostra. Na Sapateandança, os presentes fazem um desfile pelo local ao ritmo da Escola de Samba Mocidade Alegre, e na sequência apresentam seus trabalhos coreográficos na Tap Mostra. Ainda no sábado, a Tap Jam, no Conservatório Souza Lima (rua José Maria Lisboa, 745), nos Jardins, marca o término das atividades do primeiro dia, às 18h. A entrada é gratuita.
Para participar da Tap Mostra é preciso inscrever o seu trabalho coreográfico gratuitamente via blog (sapateiasaopaulo.blogspot.com). Tanto na Tap Mostra, quanto na Sapateandança o ingresso é a camiseta do evento, que deve ser vestida por todos e adquirida diretamente na Só Dança (rua Augusta, 2672/ (11) 3064-7773). Os participantes também devem doar dois quilos de alimentos não perecível, que podem ser entregues e colocados em frente ao palco no dia da apresentação. Aqueles que forem se apresentar na Tap Mostra devem impreterivelmente integrar o desfile da Sapateandança.
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Christiane Matallo, organizadora e diretora do evento


AULAS PRÁTICAS — No domingo, dia 7, é hora de agitar as plaquinhas. A novidade desta edição fica por conta de três diferentes programas de aulas, um para alunos de nível básico; outro para alunos de nível intermediário/avançado; e o último que une os programas anteriores. No primeiro programa estão previstas as aulas de Fernanda Moreira, das 9h às 10h; de Luciana Polloni, das 10h15 às 11h15; e de Claudia Leoni, das 11h30 às 12h30. O segundo programa tem início às 14h, com a aula de Christiane Matallo, seguida de Luizz Baldijão, às 15h15, e de Kika Sampaio, às 16h30. O investimento o programa um e dois é de R$ 120, e aqueles que optarem pelo programa três pagam um total de R$ 200. Inscrições e informações pelo sapateiasaopaulo.blogspot.com.
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Bojangles, sempre eterno

BOJANGLES — A contribuição de Bojangles para o sapateado foi muito valiosa e específica: ele levou o estilo para a meia ponta, trazendo aos palcos uma leveza e clareza jamais vistas na tradição dos hooffers que dançavam com os pés inteiros no chão. Nasceu em Richmond, Virgínia, e em 1898 foi para Nova York. Aos 31 anos foi reconhecido e contratado pela produção do show “Blackbirds”, onde apresentava um número em que subia e descia uma escada sapateando. Mais tarde esse seria o marco de sua carreira. Com o sucesso de “Blackbirds”, tornou-se respeitado e passou a ser o primeiro negro a conquistar um papel na Broadway, em 1930, com o musical “Brown Buddies”. Ele também conquistou Hollywood (em 1932), onde liderou o primeiro casal inter-racial da história do cinema americano, contracenando com Shirley Temple, em “The Little Colonel”.

terça-feira, 26 de maio de 2009

As noivas de Iazetta


Marcela Benvegnu

Um projeto em processo. Assim é “Noiva Despedaçada — Forma e Estilhaçamento”, trabalho de dança contemporânea, coordenado pelo bailarino e diretor Ricardo Iazzetta, que ganha os palcos do TD — Teatro de Dança, em São Paulo, de hoje ao dia 24, e de 29 a 31 de maio, pela primeira vez. A ação, que integra a 4ª edição do programa Artista da Casa — no qual duas vezes por ano um artista consagrado é convidado para elaboração e apresentação de espetáculo inédito — propõe o entrelaçamento de discursos artísticos, e contempla dois momentos essenciais do processo de criação: a construção aberta e as performances. A apresentação de hoje é fechada para convidados.
Iazzetta dirige, ao lado de Key Sawao, a Key & Zetta e Cia., onde realizam suas criações focadas na pesquisa de linguagens corporais e suas inter-relações, convidando outros artistas para integrarem os processos criativos. “Reunimos uma série de ações artísticas que envolvem a linguagem da dança, vídeo, culinária, criação de figurino, ambientação do espaço e música, para, a partir da figura da noiva, questionar um possível esvaziamento de sentido do ritual e dos mitos na sociedade contemporânea”, fala.
Nos próximos dias 27 e 28 de maio, acontece no TD, das 14h30 às 21h, o Construção Aberta, uma parte do projeto “Noiva Despedaçada — Forma e Estilhaçamento”, que abre ao público, em sessões gratuitas, o processo de construção das performances. O público interessado pode observar a discussão e concepção sobre as performances, o figurino, as cenas, luz, ambientação do espaço.
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PERFORMANCES — Os convidados hoje irão se deparar com “Coquetel das Noivas no Salão”. A performance se desenvolve num coquetel de casamento, realizado no palco do TD. Durante a intervenção cênica, o salão será invadido por noivas, suas aspirações e desejos. O chef convidado Ricardo Pastore, especializado em festas de casamento, estará à frente do cardápio e o poeta e músico Domenico Coiro fará uma intervenção no início da coreografia.
Amanhã, às 20h, e domingo, às 18h, é a vez de “Vídeos + Solos de Ascese + Receita de Bolo + União dos Opostos”, um programa que envolve a vídeo arte de Rodrigo Araujo, do Coletivo Bijari, dança, e a performance de oito bailarinos que apontam poeticamente na direção de uma reflexão sobre o desejo de ascensão, seus percursos, possibilidades e impossibilidades.
É de 29 a 31 de maio — sexta 21h, sábado 20h, e domingo 18h — que “Noiva Despedaçada” se revela. Iazzetta faz uma incursão na linguagem da dança, do teatro e da performance, numa sequência de ações físicas, para reconstruir um ambiente e refletir sobre as possibilidades do amor, da união e da existência. Para tanto, ele usa depoimentos e citações sobre o amor sublime, estilhaçando e desenvolvendo formas para investigar a potência da dinâmica da quebra e reconstrução.

PARA VER — “Noiva Despedaçada — Forma e Estilhaçamento”, de Ricardo Iazzetta. De hoje ao dia 24, e de 29 a 31 de maio, no TD — Teatro de Dança (avenida Ipiranga 344, em São Paulo). O ingresso custa R$ 4. Data, local e horários foram enviados pelos organizadores. Mais informações (11) 2189-2557.

Beijos reconstruídos


Marcela Benvegnu

Contemplado pela quinta edição do Programa Municipal de Fomento à Dança da cidade de São Paulo, “O Beijo”, novo espetáculo da Cia. Nova Dança 4, estréia hoje, às 19h, no Sesc Avenida Paulista. O grupo propõe a criação de releitura subjetiva de obras de Nelson Rodrigues, Beckett e Poe, delineada no universo da dança de improvisação. Influenciada e inspirada pelo teatro, cinema e pela literatura, a Cia. apresenta uma obra aberta, com o intuito de conduzir o espectador por uma trama de mistério e poesia.
“O Beijo” é o segundo espetáculo da série-projeto Influência realizado pela Cia. Nova Dança 4 desde 2007, que propõe o aprofundamento da pesquisa de linguagem sobre gêneros dramatúrgicos. Algumas questões norteiam e instigam esta fase de estudo, como: qual é o eixo da história contada e a trajetória de cada personagem? Como se desenvolvem relações paralelas? Qual a relação de causa e consequência? Como o clímax é construído? E a condução do desfeche?
Influência Primeiros Estudos, de 2008, é o primeiro movimento da trilogia, que resultou de investigações dos filmes de suspense de Alfred Hitchcock e da apropriação corporal dos trabalhos realizados em parceria com os maiores profissionais da improvisação. Em “O Beijo”, os autores/roteiristas selecionados para estudo foram François Truffaut, Edgar Alan Poe, Samuel Beckett e Nelson Rodrigues.
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IMPROVISO —Desde seu surgimento, em 1996, a Cia. manteve como base de criação a improvisação cênica. “Nós já trabalhamos há muitos anos com a improvisação, sempre buscando a comunicação com a platéia. Uma vez conquistado o corpo capaz de sustentar a atmosfera de tensão do suspense e mistério que nos havíamos proposto, decidimos agora avançar mais um passo: unir a subjetividade da dança à narrativa ficcional do teatro e do cinema”, explica a diretora do grupo e uma de suas fundadoras, Cristiane Paoli Quito. “Com o projeto Estudos Dramatúrgicos para Influência da Improvisação, pretendemos aprofundar a investigação do enredo e realizar uma pesquisa de dramaturgia, a fim de sermos capazes de, a cada espetáculo, narrar uma história de ficção e compreender o percurso de cada personagem/intérprete”, conclui.
Em “O Beijo”, após apreensão das estruturas dos textos utilizados como base, o grupo desenvolveu um trabalho de elaboração e comunicação de histórias — não necessariamente lineares — no “aqui-agora” da improvisação. “A composição do espetáculo a partir de um fio condutor, uma mesma história preexistente em nossos corpos, nos dá liberdade para a construção de uma nova narrativa. O enredo e os personagens motivam e incentivam a pesquisa de movimento; o desafio está em construí-los em nossos corpos pela trilha da dança, uma dança teatralizada, sem cairmos no teatro dançado”, afirma Cristiane.
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PARA VER — “O Beijo”, com a Cia. Nova Dança 4. Estréia hoje, às 19h, no Sesc Avenida Paulista (avenida Paulista, 119). Os ingressos custam R$ 20 (inteira); R$ 10 (meia-entrada) e R$ 5 (trabalhador no comércio e matriculados). O espetáculo fica em cartaz no espaço até o dia 14 de junho, sempre às sextas, sábados e domingos, às 19h. Datas, local, horário e valores foram enviados pelos organizadores. Mais informações (11) 3179-3700.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

MEMÓRIAS CONCRETAS

Marcela Benvegnu


Esse espaço completou 2 anos no dia 9 de maio!
Sim, a gente fez aniversário.
E para agradecer todos aqueles que dão uma passadinha semanal aqui, um agradecimento (desabfo) de verdade, que eu escrevi pós congresso de jazz dance.
Esse texto foi enviado somente para os professores que fizeram parte dessa história... E por insistência da Érika (Novachi)
e da Rose (Calheiros) e ele está sendo "espalhado" por aí.

Obrigada dança!



Memórias Concretas


A sensação de êxtase ainda não saiu do meu corpo, mesmo dias após o 1º Congresso Internacional de Jazz Dance ter terminado. Confesso, a minha respiração às vezes se descontrola. Pensei e fixei mesmo tudo o que eu senti e vivi naqueles quatro dias dentro de mim, e sei que essa sensação não vai mais sair e não adianta eu me perguntar por que me sinto assim.

Fiquei deste jeito, mais do que tocada, porque acho que tinha perdido o feeling do jazz... Os pliés, as coreografias, ou mesmo as seqüências das mais simples, às mais complicadas, ficaram sendo executadas por muito tempo no meu corpo. Dançá-las era algo difícil. E aconteceu de novo, da forma que eu aprendi quando só fazia isso.

Para isso tudo acontecer, eu precisei encontrar a Érika (Novachi) em janeiro de 2008, que acho que também precisava de mim naquele momento, para que o nosso sonho se tornasse concreto. A nossa dupla de opostos, ela contida, eu explosiva, ela tranqüila, eu nervosa, encontrou a paixão e o equilíbrio perfeito para o trabalho em dupla, que foi muito além de uma parceria. Depois do empurrão da Chris (a Mana) o trabalho se transformou em amizade verdadeira. Tenho a sensação de que a conheço há anos. E como a Rose disse, são encontros de outras vidas.

Desde as nossas primeiras reuniões, os primeiros e-mails, os primeiros olhares e risadas (a gente ri muito, e isso é maravilhoso), pensávamos no outro. Um outro que era, na verdade, o espelho das nossas ânsias e necessidades. Não foi a conta bancária em nenhum segundo que mudou o nosso foco, não foram as inscrições que nos surpreenderam que nos fizeram dar um passo maior do que a perna. Nós apenas desejamos, e o desejo se realizou: dar e promover a dança com amor.

Os quatro dias que vivemos, talvez sejam os mais intensos de dança que meu corpo se expôs até agora, foram uma das minhas maiores alegrias. O jazz é algo maior. Algo meu. Algo da alma, que transcende e se transforma em movimentos (doloridos até, porque no segundo dia eu não conseguia andar...).

Cada detalhe, da pulseira de acesso, ao jornal, a camiseta, a recepção. Tudo foi pensado. Tudo foi trocado. Eu e a Érika éramos uma única voz, um corpo, uma palavra, uma dança. O “sim” de uma, era o “sim” da outra. Por isso funcionou. O idioma falado é o do jazz.

A cada aula um aprendizado. Cada professor contribuiu com o seu melhor. Chris e sua musicalidade; Caio e seu musical; Sue e sua tradicionalidade; Érika e o seu lyrical; Cinthia e sua negritude, e Rose, com a sua dança única e inspiração. Inspiração que motivou e, sobretudo, transformou corpos amortecidos com a massificação de uma esfera chamada dança. Transformou almas que queriam dançar, apenas dançar.

E dançar não é pedir muito. Foi preciso dizer que o congresso do jazz e do amor, como caracterizou uma aluna, foi real. Foi tudo de verdade, por mais que eu ainda custe a acreditar. Tudo aconteceu mesmo por mais que pareça mentira. O clima foi de paz, por mais que a dança às vezes viva em guerra. A harmonia reinou na cidade, por mais que os grupos disputem uns contra os outros nos festivais. As pessoas foram amigas, se uniram para um pensamento. Dançaram nossa principal idéia.

Confesso que não sei porque estou escrevendo tudo isso. Talvez parte dessa sensação precise sair pelos dedos, encontrar as teclas do computador e se transformar em palavras concretas, sobre um evento concreto, sobre uma dança possível. Ainda mais porque eu trabalho com as palavras.

E como cada um, por menor ou maior, que tenha sido a participação do nosso evento, fez a diferença. Sem todos não teríamos como saborear cada lembrança agora.

Aprendi como é possível dividir e acreditar nesta idéia que eu e a Érika dançamos por um tempo sozinhas. Ela tomou vida, ganhou pernas, pés, corpo.

Cresce.

Obrigada!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Africanidade contemporânea

Crédito: Mediamania

Marcela Benvegnu


Considerada a melhor companhia africana de dança contemporânea, a Compagnie Georges Momboye chega ao Brasil precedida da unanimidade da crítica internacional. Criada em 1992, e com sede em Paris, a trupe chega ao país em junho para apresentar o espetáculo “Boyakodah”, de Momboye. A turnê, que passa por Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, chega ao Teatro Municipal de São Paulo nos dias 26, 27 e 28, e integra a programação cultural do Ano da França no Brasil — França.Br 2009.

Com uma formação inusitada, pois, além de dançarinos, a companhia reúne músicos e cantores originários de países como a Costa do Marfim, Camarões, Guiné e Senegal, o grupo é reconhecido mundialmente pela sua criatividade, que une a tradição da cultura africana a elementos da dança clássica, do jazz e do hip hop. O trabalho escolhido para ser apresentado no Brasil é “Boyakodah”. Com 11 dançarinos, um cantor e quatro músicos, a montagem, cujo nome significa felicidade em guéré — língua falada do oeste da Costa do Marfim — é, segundo o próprio coreógrafo, uma ode à vida.

Em cena, os bailarinos interagem com a cuia e o bastão do pilão, objetos que são símbolos sexuais da procriação, força e harmonia. “Este trabalho busca o equilíbrio entre corpo e alma, ritmo e silêncio, evocando a maior aspiração do homem pela felicidade e prazer”, explica o coreógrafo.
Formado em dança africana desde os 13 anos de idade, Georges Momboye deixou a Costa do Marfim para se aperfeiçoar com coreógrafos do porte de Alvin Ailey, Brigitte Matenzi, Rick Odums e Gisèle Houri, cujo acento contemporâneo influenciou definitivamente seu trabalho. Ao longo de seus 17 anos de existência, o grupo se consolidou como um dos mais importantes de dança africana contemporânea.
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HISTÓRICO — A primeira coreografia do grupo — “A Paz” —, foi encomendada pela Unesco e interpretada por 50 dançarinos, projetando internacionalmente o nome de Momboye. Na seqüência vieram trabalhos como “Adjaya”, “M’bah Yoro”, “Tahaman” e outros. O ecletismo do coreógrafo se traduz também nas recriações de clássicos como “A Sagração da Primavera”, de Stravinsky, e “Prelúdio à Tarde de um Fauno”, de Debussy.

Momboye criou em Paris, em 1998, o primeiro centro de danças pluriafricanas, onde desenvolveu uma linha pedagógica que fez escola e foi adotada na Europa, Estados Unidos, América Latina e Ásia. Em dezembro de 2005, estreou “Afrika Afrika”, espetáculo itinerante que reuniu mais de 100 dançarinos, músicos e artistas de circo em turnê pela Alemanha, Suíça e Áustria. Suas criações já foram apresentadas em grandes festivais como a Bienal Internacional da Dança, em Lyon; Santander Festival, na Espanha; no Sadler’s Theater, em Londres, e outros. Se quiser saber mais sobre a companhia vale entrar no site ladanse.com/momboye ou ver um trecho da apresentação no YouTube pelo endereço youtube.com/watch?v=GHzdZ5qlX6g.
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PARA VER — “Boyakodah”, de Momboye, com a Compagnie Georges Momboye. Dias 26 e 27 de junho, às 21h, e dia 28 de junho, às 17h, no Teatro Municipal de São Paulo. Os ingressos custam entre R$ 40 e R$ 80 e podem ser adquiridos no site ticketmaster.com.br. Datas, local, horários e valores foram enviados pelos organizadores. Mais informações (11) 2063-5087.

Fragmentos de Vera Sala

Instalações criam ambientes que redimensionam e reorganizam as possibilidades corporais
Crédito: Rogério Ortiz

Marcela Benvegnu

Em continuidade à linha de pesquisa começada em 2003 com “Corpo-Instalação”, a coreógrafa e bailarina Vera Sala optou agora por uma nova proposta coreográfica intitulada “Pequenos Fragmentos de Mortes Invisíveis”, que pode ser vista até domingo, no Sesc Ipiranga, em São Paulo. A instalação, que foi contemplada pelo Programa Municipal de Fomento à Dança — 4ª edição, é parte do conceito de que um corpo só pode ser compreendido no ambiente em que vive e das relações e conexões que nele estabelece. A entrada é gratuita.
No trabalho, a bailarina e pesquisadora se propõe, por meio de suas instalações, a criar ambientes que redimensionem e reorganizem as possibilidades corporais. “É um espaço que se afeta continuamente por ser um espaço de relações que se alteram no fluxo de tempo”, explica Vera. “A instalação não deve ser encarada como um espetáculo. São organizações diferentes dessa pesquisa, onde uma determinada formulação adquire uma estabilidade para ser apresentada. É uma estabilidade temporária. A diferença do presente trabalho se encontra na formulação do ambiente criado”.
“Pequenos Fragmentos de Mortes Invisíveis” possui um caráter de obra em constante construção. De acordo com Vera, “a cada vez que alguém visitar a instalação, não verá exatamente as mesmas coisas. Ainda assim, existem qualidades de corpo e questões que permanecem”. Uma destas questões é o corpo esvaziado, foco da pesquisa. “É um esvaziamento pelo excesso. As diferentes formas de violência, implícitas e explícitas, esvaziam a ação do corpo”, afirma.
A cenografia, criada pelo arquiteto Hideki Matsuka, é composta por torres metálicas e semitransparentes, que criam uma espécie de labirinto de ilusões ópticas, com imagens que aparecem, somem e se reproduzem. “O público vai ocupar o mesmo espaço, não há uma separação de platéia. O espectador pode circular, escolher de onde quer observar o ambiente. Você não se senta simplesmente para receber uma informação, mas tem que estabelecer relações e conexões dentro daquele ambiente para poder usufruir daquilo”, afirma Vera.
O espaço cênico é complementado por uma instalação sonora, criada por Daniel Fagundes, e projeções de vídeo. Sons pré-gravados se misturam a ruídos captados ao vivo, todos reeditados por computador no próprio momento da performance. A sonoridade, dessa forma, modifica-se a cada dia: os microfones, pendurados no teto, captam sons do movimento do público e dos bailarinos. Quanto aos elementos pré-gravados, suas entradas são aleatórias e construídas na hora da ação.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

TAP RELOADED recebe única representante BRASILEIRA

Marcela Benvegnu

Depois de ter ministrado aulas de sapateado com ritmos brasileiros na New York City Dance School of Stuttgart, e na Base Militar dos Estados Unidos, em Stuttgart, na Alemanha, no ano passado, a coreógrafa, sapateadora, cantora e musicista CHRISTIANE MATALLO, foi convidada pelo francês Pascal Hulin, diretor do 3º Tap Reloaded, para integrar o cast de professores desta edição do evento, que acontece a partir do dia 24 de abril, em Sttutgart. Christiane é a única brasileira a participar do festival, que também conta com Fredy Corado (Costa Rita), Chloe Arnold e Jason Samuels Smith (USA), entre outros.

Christiane embarca acompanhada do contrabaixista Gilberto de Syllos, que lhe acompanhará nas aulas e performances. A dupla revela em cena o resultado de uma pesquisa entre dança e música na qual nasceu o espetáculo "da Corda pro Pé" e divulga o CD intitulado "Tap Bass", lançado no ano passado. De Syllos, que é referência mundial no universo internacional do sapateado, também irá tocar para grandes nomes no evento, como o sapateador ganhador do prêmio Emmy Awards, Jason Samuels Smith.

Além das aulas, que serão ministradas na New York City Dance School of Stuttgart, Christiane apresenta dois números na Liederhalle-Hegelsaal Stuttgart. O primeiro é uma homenagem à Bossa Nova. A artista se apresenta ao piano, e mostrará uma performance sem igual: ela é a única artista no mundo que toca saxofone tenor e sapateia simultaneamente.

A outra apresentação será um tributo à Carmen Miranda, na qual entra no palco tocando pandeiro e promove um diálogo com os pés ao ritmo de um samba cadenciado. Na sequência, no sax, apresenta "Mamãe eu Quero" e ao lado de De Syllos, "Taí". Um detalhe: parte da múisica será cantada em alemão. A dupla finaliza a apresentação com a união do baixo elétrico e do sambateado, termo criado por Christiane em 2006, dentro da Escola de Samba Mocidade Alegre, de São Paulo, que significa a união do samba com o sapateado.

Os artistas viajam à Alemanha com apoio do Ministério da Cultura pelo edital nº1/2009 de Intercâmbio e Difusão Cultural com a maior pontuação (25 pontos). A contrapartida da dupla será a oficina, “Relação Corpo e Música na Cultura Brasileira”, que será oferecida a alunos do ensino médio da rede pública da cidade de Campinas, em maio de 2009, com duração de oito (08) horas no ponto de cultura Associação Cultural Boa Companhia (Convênio MinC – Governo Federal / Prefeitura Municipal de Campinas), sediada em Barão Geraldo, Campinas.

Revolucionários da dança


Marcela Benvegnu

Bailarinos que são também acrobatas ou vice-versa, que se fundem a outros ou a materiais inusitados, criando formas surpreendentes. Essas são características da dança contemporânea, exploradas por diversas companhias, porém, entre todas, ninguém as executa de forma tão original quanto o Pilobolus Dance Theatre, até porque, a companhia norte-americana, criada há 38 anos, foi a pioneira no estilo e a grande responsável por uma revolução no cenário da dança moderna. Aqueles que não conhecem o trabalho da trupe, se agendem: a companhia chega ao Brasil em maio.
Eles mostram aqui um programa que reúne cinco de suas principais coreografias, criadas em épocas diferentes da trajetória da companhia (a mais antiga data de 1973 e a mais nova é de 2008). Eles se apresentam nos dias 22, 23 e 24 de maio no Vivo Rio, no Rio de Janeiro; no dia 28 de maio no Teatro Cláudio Santoro, em Brasília; nos dias 30 e 31 de maio no Via Funchal, em São Paulo; no dia 3 de junho no Teatro Castro Alves, em Salvador; no dia 5 de junho no Teatro Guaíra, em Curitiba; e nos dias 6 e 7 de junho no Porto Alegre Bourbon, em Porto Alegre.
Por aqui eles apresentam “Lanterna Mágica” (2008), de Michael Tracy em colaboração com Andrew Herro; “Pseudopodia” (1973), de Jonathan Wolken; “Rushes” (2007), de Inbal Pinto, Avshalom Pollak e Robby Barnett; “Symbiosis”, de Michael Tracy com a colaboração de Otis Cook e Renée Jaworski; e “Megawatt” (2004), de Jonathan Wolken.
Fundada por Moses Pendleton — que mais tarde criou o Momix — e Jonatham Wolken, o Pilobolus foi o primeiro grupo moderno a juntar à dança técnicas de força física, improvisação cênica e muitos efeitos visuais e de luz, apresentando ao público coreografias abstratas muito diferentes dos então padrões tradicionais da dança. Em 2007, tiveram uma de suas maiores consagrações: foram convidados para se apresentar na cerimônia do Oscar, vista por mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, apresentando os filmes indicados ao prêmio principal.
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HISTÓRIA— Pilobolus, o organismo artístico, germinou no solo fértil de uma sala de aula no Dartmouth College, em 1971. O que emergiu foi um processo coreográfico colaborativo e um enfoque único de compartilhamento em uma parceria, que deu à jovem companhia um novo conjunto de habilidades não-tradicionais mais poderosas para criar coreografias. O grupo foi logo aclamado por sua surpreendente mistura de humor e invenção. O grupo está dividido em três ramos principais de atividade: Pilobolus Dance Theatre, uma companhia itinerante integrada por sete pessoas; o Pilobolus Institute, um guarda-chuva para toda a programação educacional; e o Pilobolus Creative Services, uma estrutura administrativa que permite coordenar atividade criativa tanto com as organizações comerciais quanto artísticas fora da companhia.
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PARA VER —Pilobolus, em São Paulo. As apresentações acontecem na Via Funchal (rua Funchal, 65), nos dias 30 de maio, às 21h, e no dia 31 de maio, de às 20h. Os ingressos custam entre R$ 40 e R$ 150. Datas, local, horários e valores foram enviados pelos organizadores. Mais informações: pilobolus.org.

Thank you, Dance!

by Judy Smith "